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Briga por terreno motivou crime em Madre de Deus: 'Mãe viu a filha tomar os tiros'

Irmãos são suspeitos pela morte de três pessoas, incluindo um adolescente

04/11/2021 às 20h33 Atualizada em 05/11/2021 às 21h14
Por: Redação Esplanada News Fonte: Correio24horas
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Imagem: Reprodução
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Uma disputa por um terreno e desejo de vingança motivaram a morte de três pessoas em um ataque na cidade de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, na noite da quarta-feira (3). Paulo César de Jesus, 37 anos, Emily Souza dos Santos, 22 anos, e Ítalo Souza da Luz, 16 anos, foram mortos a tiros. Paulo era padrasto de Emily e pai de Ítalo. Outro enteado de Paulo, Gabriel, ficou ferido.

Familiares das vítimas dizem que o conflito começou por conta de um terreno na localidade, no bairro do Barbeirinho. Paulo César e a mulher Audineia Mota Souza, que sobreviveu, eram vistos como líderes comunitários na região. Eles ajudaram a construir casas e apoiavam a população. Jonas e Tiago, irmãos que são apontados como suspeitos, ganharam parte de um terreno depois de aparecer no local pedindo por ajuda.

O conflito

A relação entre os dois e a família começou a apresentar problemas quando Jonas e Tiago pediram a outra metade do terreno para um terceiro irmão vir morar em Barbeirinho. Paulo e Audineia negaram, afirmando que o espaço era destinado à construção de uma igreja evangélica. Os irmãos ficaram contrariados com a decisão do casal e começaram a ter uma postura mais agressiva, como conta um sobrinho de Paulo, que preferiu não se identificar.

“Eles deram uma parte do terreno para os dois e iriam dar o restante para o povo de Igreja. Só que eles cresceram o olho e queriam porque queriam ficar com essa parte. Como meu tio e a esposa não deixaram, aí eles disseram 'vocês vão ver se a gente não vai ficar com esse terreno', ameaçando mesmo”, conta,

Depois de muita discussão e das ameaças dos dois os irmãos ao casal, Jonas e Tiago deixaram Barbeirinho, mas ontem voltaram para cumprir a ameaça.

"Faz menos de cinco dias que eles tinham saído daqui e pediram para uma vizinha fazer a mudança. Quando foi ontem, às 23h30, eles voltaram para matar todo mundo na casa. Veio planejado porque, além de fazer isso, um veio pela frente pra dar tiro no cachorro enquanto o outro pulou pelo fundo. O primeiro matou o cachorro e, quando Paulo veio, o outro descarregou a pistola em Paulo. Gabriel, que é o que foi pro hospital, tentou ajudar o pai e também tomou tiro. Não sei quantos foram, só que foram muitos, eles descarregaram tudo", diz um sobrinho de Audineia, que também não quis ser identificado. 

 

Terreno que foi alvo da disputa (Foto: Wendel de Novais/CORREIO) 

"Minha tia pegou as duas filhas e a neta para levar pra debaixo da cama. Uma filha era menor e ficou com ela. Só que Emily achou que a filha não estivesse ali e levantou para pegar. Quando ela fez isso, eles também atiraram. A mãe viu a filha tomar os tiros no peito e na cara", acrescenta o rapaz. "No fim, minha tia conseguiu salvar a filha de 4 anos e a neta, que é filha de Emily e também tem 4 anos", fala.

A fuga

De acordo com os vizinhos que acordaram com o barulho dos tiros, os dois entraram e saíram de forma rápida do local e nem pararam na casa onde viviam porque suas coisas já não estavam lá, o que indica que o atentado e a fuga em sequência já estavam planejados.

"Depois que eles ficaram esses dias fora, pediram para uma vizinha daqui fazer a mudança das coisas que estavam aí na casa deles. Todo mundo viu ela fazendo isso pela parte da noite. Eles já estavam com tudo armado para fazer essa maldade", declara o sobrinho de Paulo.

O major Márcio Sousa, da 10ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), diz que a polícia está na busca dos suspeitos, que fugiram em duas direções diferentes.

"A delegada já está ouvindo o motorista do Uber que conduziu um dos acusados, junto com sua esposa, provavelmente para fora da cidade. Existem duas possibilidades de onde eles estão. A gente está fazendo cruzamento para verificar. Vamos continuar nas diligências para ver se a gente consegue prender os autores. Acredito que ainda hoje a gente consegue localizar", diz. O outro suspeito fugiu de moto em uma direção diferente e também está sendo procurado.

Pedido por justiça

Revoltado com que aconteceu com seus familiares, o sobrinho de Audineia diz que a família agora espera ver a justiça ser feita. "São duas pessoas que sempre ajudaram a comunidade da invasão do Barbeirinho e acabaram morrendo pelas mãos de de dois vagabundos que ganharam casa e pela ganância fazem um negócio desse", diz.

Ele afirma ainda que todos vão lembrar de Paulo como uma pessoa muito trabalhadora. Paulo mesmo trabalhava de motoboy, todo mundo conhecia, era um cara que ajudou a cada um levantar sua casa. Sempre foi uma pessoa muito boa, que todos gostavam", relata.

O sobrinho de Paulo César lembra que o casal ajudou muitas pessoas na comunidade do Barbeirinho. "Paulo César ajudou a levantar muitas casas e tinha um terreno na frente da casa. Todas as casas que existem aqui têm o dedo e o suor dele. Não merecia morrer dessa forma" , afirma.

Com os corpos sem liberação até o início da tarde, a família ainda não sabe quando ocorrerá o sepultamento das três vítimas.

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