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PMs suspeitos de ataque a assentamento na BA ficam em silêncio durante depoimentos

Já os outros 17 suspeitos presos após entrarem em assentamentos e destruíram casas disseram que foram contratados para limpar o terreno. Os 22 presos após a ação já estão em liberdade

25/11/2021 às 21h55 Atualizada em 27/11/2021 às 13h51
Por: Redação Esplanada News Fonte: G1-BA
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IMAGEM: REPRODUÇÃO
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Os cinco policiais militares suspeitos de envolvimento na destruição das casas de 30 famílias em Camaçari, na região metropolitana de Salvador, usaram o direito de ficar calados durante os depoimentos à Polícia Civil.

Os outros 17 suspeitos prestaram depoimento, e deram versões diferentes da dos moradores sobre o que aconteceu na madrugada do dia 20 de novembro, na comunidade do Tereré. Todos os suspeitos disseram que foram contratados para fazer a limpeza do terreno, e que receberiam R$ 200 pelo serviço.

Um dos pontos em investigação é sobre a presença de moradores na localidade. Todos os suspeitos disseram que não havia ocupantes no terreno, versão contestada nos depoimentos de diversas famílias.

Um dos moradores contou que estava dormindo quando acordou com o barulho de um trator. Ele disse que correu pelo fundo da casa com medo de morrer, e que em seguida, entrou na mata, e ouviu vários tiros e pessoas gritando: "sai, sai, vou matar".

Outro morador contou que ele e a mulher fugiram pela mata, e que os suspeitos, que portavam armas, atearam fogo nos barracos.

Outra pessoa relatou que estava com os filhos e netos quando os homens chegaram derrubando tudo, e ateando fogo no local.

Os suspeitos apresentaram versões diferentes sobre os incêndios. Um deles nega que ateou fogo nos barracos, e conta que não viu ninguém fazer isso. Já outro suspeito admitiu que derrubou quatro barracos, e que o material foi queimado posteriormente.

Outro ponto conflitante entre os depoimentos dos suspeitos é sobre o roubo de bens dos moradores. Um deles disse que não pegou nenhum material, e que não viu ninguém pegar.

Já outro homem afirmou ter pegado um aspirador de pó e um peso de malhar. Ele diz que colocou os equipamentos em um carro para levar para casa. Ainda no depoimento, o homem diz que decidiu levar os equipamentos porque não havia ninguém no local.

Entre os ouvidos nos depoimentos está Ezequiel Barbosa Ribeiro, um dos suspeitos. A maioria dos presos diz que foi contratada por Ezequiel para fazer a limpeza do terreno. Ezequiel admitiu que fez esse recrutamento, e afirmou que trabalha como vigilante das terras.

Ele diz que que transportou o grupo para fazer a limpeza do terreno, que o dono do local seria um homem chamado Paulo Sérgio, mas que não sabe onde e como ele pode ser encontrado. Ezequiel ainda disse que foi contratado por um homem chamado Walace, mas que também não sabe dizer onde e como ele pode ser encontrado. Ezequiel disse que sempre vigiou terrenos para Wallace.

Ainda segundo ele, o serviço foi executado à noite porque durante o dia os moradores impedem a limpeza, alegando que se trata de um terreno pertencente a eles. Ezequiel também afirmou também que não há casas no terreno, apenas marcações para futuras invasões, e a ação foi para prevenir essas invasões.

Sobre os PMs presos, o homem acusado de recrutar a maior parte do grupo disse que não conhecer os militares, mas afirmou que os policiais estavam com um homem chamado Neudimar, que seria sócio do homem identificado como Wallace.

Os PMs foram identificados como: os sargentos Antônio Carlos de Jesus Chagas, Marco Aurélio Conceição Nascimento, e Paulo César Santos de Sousa. O cabo Marcos Silva dos Santos, e o soldado Juvenal Silva de Oliveira.

Em entrevista à TV Bahia na quarta-feira (24), o corregedor adjunto da PM afirmou que os policiais também vão ser alvos de uma investigação militar.

“Assim que toda documentação seja encaminhada, o auto de prisão em flagrante, nós iremos instaurar um processo administrativo disciplinar para investigar a conduta administrativa praticada pelos servidores”, disse.

O processo administrativo é composto por uma comissão de oficiais da PM, que pode resultar para policiais da ativa a demissão, e para aqueles que estão na reserva pode resultar na cassação dos seus proventos.

A defesa das vítimas acredita que as terras são alvo de grileiros, que querem as terras para obter lucros com a especulação imobiliária. A Polícia Civil e o Ministério Público pediram que as prisões em flagrante dos policiais fossem convertidas em preventivas, mas o pedido foi negado na quarta-feira pela Justiça.

A decisão foi do juiz Ricardo Dias de Medeiros Neto. No documento, ele afirmou que há problemas nas imputações feitas pela autoridade policial nos quatros crimes investigados. Sobre a suspeita de roubo, a decisão explica que a polícia não descreveu quem teria cometido o crime, o que teria sido roubado, e de quem.

Já sobre a suspeita de associação criminosa, o documento diz que a autoridade policial não relata qual seria a composição dessa organização, e qual a relação entre os supostos integrantes.

Sobre as demais denúncias, o juiz também considerou que não houve por parte das testemunhas ouvidas, nem das vítimas, a individualização das condutas de cada um dos presos. Por conta disso, além de não homologar as prisões em flagrante dos 5 policiais, o juiz decidiu pela soltura dos 17 suspeitos presos no caso. Todos já estão em liberdade, mas as investigações seguem na delegacia de Abrantes.

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